"Cada libro, cada tomo que ves tiene alma. El alma de quien lo escribió y el alma de quienes lo leyeron y vivieron y soñaron con el (...) Los libros son espejos: sólo se ven en ellos lo que uno ya lleva dentro"

(Carlos Ruiz Zafón, La sombra del viento)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano novo!




Desejo a todos um ano extraordinário, que Deus nos abençoe. Como última leitura do ano de 2009 faço minhas as palavras atribuidas a Victor Hugo e trago pela última vez no ano uma linda ilustração da Mariana Massarani.

"Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fiéis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil, mas não insubstituível.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste; não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal;
porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar."

Sorrindo por dentro.

Só para que conste, é a centésima primeira postagem do blog. E resolvi usá-la para contar algo que vi que realmente me fez sorrir.
Passei pela Travessa hoje, depois de assistir o magnífico filme da Disney "A princesa e o sapo". Alguns livros não encontramos em muitos lugares.
Estava então olhando a sessão infantil quando vi que uma atendente, Renata o nome dela, percebendo a enorme movimentação de crianças disputando por um livro, pegou o divertido livro interativo sobre Moby Dick, sentou-se no chão e começou a contar a história para as crianças. Ela foi paciente e permitiu que eles tocasse e explorassem o livro. Me fez sorrir por dentro e pensei sobre como seria bom se todos os vendedores fossem assim tão gentis e pacientes. Eu estava procurando um título específico e difícil, ela sabia que tinha antes mesmo de checar o local no computador. Por fim, quando a bagunça terminou e eu estava me retirando assim como as crianças, vi como ela pegou os livros com cuidado para guardá-los e seguiu sorrindo.
Bom encontrar cenas como esssa no cotidiano.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mais Alice

'O' gato...

Infância, chás e um presente de amiga


"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". Foi essa a instrução que o Coelho Branco recebeu do Rei em pleno julgamento do valete de copas, acusado de roubar as tortas da rainha. “Cortem a cabeça!”, era sempre isso que a rainha repetia, enlouquecendo por completo os convidados, os jogadores, as lebres e os chapeleiros.
Para sobreviver neste mundo é preciso mesmo ser louco como um chapeleiro, risonho como o gato inglês e talvez inocente como uma criança.
Eu vi o filme ainda criança e me deliciava em tentar falar o nome em inglês “Alice in Wonderland”. Então, no natal deste ano eu ganhei de presente uma nova versão do imortal clássico. A amiga leitora me disse: “Uma historiadora vai saber apreciar como poucos o presente”. Então eu sorri, ela fazia menção ao tradutor, Nicolau Sevecenko, um historiador que caminhou conosco através de seus textos durante as aulas de Brasil III e VII. A versão do livro clássico conta ainda com lindas ilustrações assinadas por Luiz Zerbini.
Eu gargalhei lendo o livro. Acabo de terminar a leitura a agendei para hoje a noite sessão pipoca com a irmã para assistirmos juntas o filme da Disney, que por sinal, é maravilhoso.

A versão cinematográfica de Tim Burton chega aos cinemas em Abril de 2010, com um gato ainda mais risonho e assustador, um fantástico elenco e uma nova leitura do clássico imortal. A ansiedade para ver o filme aumentou quando terminei de ler o livro de Lewis Carroll, mesmo assim, espero antes do filme ter consigo ler o outro livro com as aventuras de Alice.
Existem algumas coisas das quais eu tenho um pouco de receio, esse gato sorridente é uma delas. Apesar de ele ser muito mais simpático no livro. Quando eu era criança nunca consegui compreender se ele era um vilão ou um bom gato. Meu pai dizia, “relaxe, ele é apenas travesso”. Mesmo assim, eu tinha medo dele. Então, conversando com Roberta e Eunícia, percebi que de fato, ele é apenas um gato risonho. Pode ser bom ou mal dependendo da situação e se assemelha muito com tudo que vivemos, pois no final das contas Eunícia está certa, é esse tipo de ambigüidade que encontramos no mundo e dentro de nós mesmos.
Comecei pelo início e cheguei ao final, mas desobedecendo a ordem do rei, não paro.

Como Alice, prossigo com as lembranças do país maravilhoso que visitamos e espero que como ela, eu mantenha acesa em mim a chama de uma infância eterna. Agora corro pois é hora do chá, e já ouço o coelho gritar “Ai é tarde! Pelos meus bigodes, como é tarde”

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Férias!



. Então chegaram as férias! Escolhi os livros para ler, coloquei em prateleira separada

 Alguns são emprestados, outros foram comprados e ainda tem no meio disso tudo uns presentes.


Preparei a cadeira e parti para o abraço.

E talvez você pergunte: "Férias sem Mia Couto Agnes?"
E eu responderei que estou seguindo o conselho da Guida, ela disse para não ler Mia Couto todo de uma vez. Eu acredito que deve ser um bom conselho por isso escolhi outros para seguirem comigo durante o período de descanso. E quando não estou fazendo artigo, é naquela cadeira que me encontro.




sábado, 19 de dezembro de 2009

Lá e de volta outra vez


“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhocas e com cheiro de lodo; tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou que comer: era a toca de um hobbit, e isso quer dizer conforto.”

(O Hobbit – J.R.R. Tolkien)


As férias chegam e com elas as leituras... digamos... mais agradáveis. Bem, minha última postagem por aqui, se não me engano, foi sobre o encantador O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien. Pois bem. Fiquei muito interessado na obra do autor e falo mais uma vez sobre um de seus livros. Desta vez, falarei sobre O Hobbit. Já adianto que me recuso a falar muito sobre este livro, visto que poucos conhecem sua história, pois poucos o leram. Além disso, existe um vindouro filme previsto já para 2010 sobre o livro. Não quero estragar as leituras de ninguém.

Prelúdio de O Senhor dos Anéis, O Hobbit é, no entanto, um livro infantil (ou assim é considerado). Trata-se de uma fábula, na qual um tranqüilo hobbit, Bilbo Bolseiro, um belo dia recebe em sua casa (sem esperar) uma visita de treze atrapalhados, rabugentos e divertidos anões, além do mago Gandalf, que o arrastam, contra sua vontade, para uma perigosa aventura para além de suas despensas. Coisa não muito boa para a reputação de um hobbit, de um povo normalmente avesso a aventuras. Nesta aventura, Bilbo surpreende-se consigo mesmo, com sua esperteza e capacidade de liderança, além de descobrir sua habilidade como ladrão, mas sem perder sua honra e sem deixar de desejar, todo o tempo, estar de volta à sua confortável toca (o que deixa o livro ainda mais divertido).

Aqui, Tolkien também nos apresenta um mundo grandioso e detalhado, repleto de interessantes e cativantes personagens (elementos que parecem umas de suas marcas registradas), embora não mencione nem uma vez o nome Terra Média presente em O Senhor dos Anéis. Parece que a famosa Trilogia do Anel foi pensada depois, com inacreditáveis pontos de ligação com a história do Sr. Bolseiro.

Como disse, o livro é considerado infantil. Contudo, é extenso e a narrativa é bastante densa (apesar de bastante didática e divertida), além de apresentar poucas figuras, o que me faz pensar que as crianças de 1937 (ano de publicação do livro) deviam ser diferentes das de hoje, devendo gostar muito mais de leituras. Também me faz pensar que a classificação “infantil” pode estar um pouco equivocada... que tal “infanto-juvenil”? Bem, o fato é que a história foi criada pelo autor para seus filhos antes de ser publicada, mas não se diz a idade que eles tinham. Enfim, isso não é tão importante.

Considerado coisa de “nerd” ou não, passei a apreciar muito a obra de Tolkien e já tenho outro de seus livros na fila. O Silmarillion, considerado a obra favorita do próprio autor, o que me deixa ainda mais curioso! Devo começá-la em breve, depois de algumas obrigações a cumprir e de um outro livro que me chamou a atenção antes.

Fecho com uma canção do Sr. Bolseiro (outra marca registrada de Tolkien):

Estradas sempre em frente vão,
Sob copas, sob pedras a passar,
Por cavernas sempre sem o sol,
Por rios que nunca vêem o mar:
Sobre a neve que o inverno semeia,
Pelas flores que junho cultua,
Sobre seixos, sobre o verde capim,
E sob as montanhas da lua.

Estradas sempre em frente vão
Sob nuvens e estrelas a passar,
Mas os pés que percorrem os caminhos
Um dia para casa vão voltar.
Olhos que fogo e espada conheceram
E em antros de pedra horror pungente,
Um dia verdes prados recontemplam
E as colinas e as matas de sua gente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Novidades Twitteiras

Segundo o Twitter da Livraria da Travessa, o grande homenageado da FLIP 2010 será Gilberto Freyre.

Segundo o Twitter da Cia das letras, chega na segunda quinzena de Dezembro nas livrarias o segundo volume da trilogia Mundo de Tinta de Cornelia Funke, continuação do magnífico Coração de Tinta. (Estou ansiosa por demais!)


sábado, 12 de dezembro de 2009

Socrates In love

“O amor é uma forma de violência que obriga as pessoas a pensarem”. Apenas isso, e ficou ali, lendo e relendo a frase quase anônima em um livro de filosofia qualquer. Sentiu os significados múltiplos da sentença, então sentou e escreveu um Best-Seller. Parece ironia, mas foi assim que Kyoichi Katayama começou a escrever um dos mais belos romances japoneses, Sócrates in Love: o amor sobrevive ao tempo. Admito meu preconceito inicial. O livro rolou aqui em casa, a versão mangá do livro, e antes de me aventurar por este mundo, nunca tinha lido mangá. Venci o preconceito, li o livro, chorei no livro, sorri pelo livro e depois li de novo. E li de novo umas cinco ou seis vezes. De alguma forma, o ciclo se repetiu em ordens diferentes. Li tantas vezes que as falas mais significativas continuam guardadas na minha mente, mesmo que o livro agora já tenha sido devolvido.


A história do livro é simples. Um menino, Sakutaro, que conhece uma menina, Aki. O resto da história é comum, ou quase. Descoberta do amor, tristezas da vida e um amor que sobrevive ao tempo. Amor jovem, daqueles que todo mundo diz que é sem sentido e sem futuro, e também do tipo que dá forças quando tudo parece desmoronar. O tipo de amor que Aki sentia por Saku e o tipo de amor que ela recebia de volta.

A ilustradora do livro, Kazumi Kazui, conta que seus olhos ficaram cheios de lágrimas no início da história, mas do meio para o final ela chorava por cima de todos os desenhos.
A história é triste. Obviamente é uma bela história, muito bem escrita. A versão mangá do livro é fantástica, Kazumi Kazui captou toda a beleza e a alegria da história. Alegria, pois é o tipo de amor que significa vida, mesmo com tanta morte ao redor de si.

É certamente um dos livros mais lindos que já li e como a data é propícia para romances, eu falo dele. Por fim, a lição mais importante que Sakutaro aprendeu com Aki é algo simples, ele me ensinou com uma frase, e eu repito sempre, “este é um mundo tão amplo, que perdemos com facilidade as pessoas especiais que encontramos com tanta dificuldade.”. Espero assim não esquecer de valorizar as pessoas especiais, para oferecer-lhes amor leal, e captar assim toda a alegria de um amor que sobrevive ao tempo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Bibliotecas

Montei um top 10 motivos pelos quais eu amo a biblioteca da Puc e um texto sobre meu amor pelas bibliotecas. O texto foi escrito há algumas semanas e agora consegui pausar aqui e postar. Lamento minha ausência de quase 10 dias. Esperem uma ausência maior até o fim do período.

TOP 10.

10 - O silêncio ensurdecedor da Biblioteca permitindo que você se concentre (ou durma profundamente)
09 - A enorme quantidade de livros disponíveis
08 - O cheiro maravilhoso que só a biblioteca PUC tem
07 - A possibilidade de sentar no chão do segundo andar e sentir-me imersa naquele mundo de letras
06 - a possibilidade de subir dois lances de escada e fazer minha pausa para lanche no Departamento mais aconchegante da universidade, o de História.
05 - Os constantes encontros com meus colegas graduandos (três vivas para Clarissa, companheira de biblioteca)
04 - poder andar descalça pela biblioteca
03 - mesas grandes que permitem que eu me espalhe nelas
02 - Encontrar com minha prima do lado de fora da sala de estudo individual
01 - O sorriso dos funcionários da biblioteca que sempre me recebem tão bem, cujos nomes eu já conheço todos

Bibliotecas...

Algumas pessoas, para não dizer muitas, acham que eu deveria passar menos tempo na biblioteca. Bem, bibliotecas é um amor antigo.


Passei a freqüentar bibliotecas a partir da primeira série. Amava estar nelas, até porque, na minha escola, eu tinha acesso a coleção completa de Monteiro Lobato, sonho de consumo que dura até hoje. Além disso, tinha revistinhas da turma da Monica para quando eu queria algo mais leve. Quando passei a estudar no Colégio Pedro II eu devo dizer que passei os dois primeiros anos morando na biblioteca. Como eu não tinha amigos – e isso não é algo bom ou alegre – eu passava todos os meus tempos livres na biblioteca e para não passar o dia sem abrir a boca, conversava com a bibliotecária. Na biblioteca do CP2 silêncio não era algo levado muito a sério. Tinham mesas de leitura individual que ficavam no fundo, mas, as mesas de leitura em grupo eram uma 'festa literária' constante. Na biblioteca do cp2 eu descobri Pedro Bandeira, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Gaston Leroux, Camões e tantos outros. Eu era uma das únicas que precisavam de mais de uma carteirinha da biblioteca antes do final do ano. Mesmo quando comecei a ter muitos amigos e me tornei “pop” – devo dizer isso com risadas, mas é verdade – eu ainda me refugiava no quase silêncio da biblioteca quando o mundo começava a me sufocar ou a me enlouquecer. (especialmente depois das MALDITAS provas de matemática, química ou física) Foi nessa biblioteca que eu me apaixonei pela língua portuguesa.

Quando cheguei à PUC lembro que demorei a conseguir visitar pela primeira vez a Biblioteca. Estava trabalhando e não tinha tempo antes ou depois das aulas. Quando digo que demorei significa que esperei mais de um ou dois dias. Meu primeiro tempo livre foi gasto no conhecimento do lugar fantástico que a biblioteca se mostrou ser. Além de ser imensa para meus padrões até aquele momento, tinha um silêncio absoluto e um cheiro maravilhoso. Demorei a me familiarizar com o lugar. Hoje, além de conhecer todos os funcionários da Biblioteca pelo nome, tiro os sapatos quando consigo um lugar e sento no chão quando a cadeira me cansa. Às vezes quando começo a ficar tonta de tanto ler, subo para o segundo andar da biblioteca, olho os livros e suas lombadas, sento no chão e fico em silêncio, sabendo que tudo que li em breve começará a conversar comigo. Amo a Biblioteca da PUC. Fico até tarde estudando com prazer e com a certeza de que basta subir dois lances de escada para encontrar no departamento o refresco que eu preciso para descer e retomar os estudos.

sábado, 21 de novembro de 2009

Criança que Lê.


"Ler é mais importante do que estudar", Ziraldo diz isso com frequencia. Monteiro Lobato tinha como máxima de sua editora a idéia de que "um país se faz com homens e livros".
Estou certa de que a leitura é algo crucial para o desenvolvimento intelectual do ser humano. Meu querido amigo Israel Belo - que por acaso é meu pastor mas não gosta de ser chamado assim - contou-me em certo momento que nunca estudou para português e literatura. Ele assistia as aulas e depois corria para ler romances e livros sobre aquilo. Ele conta que em muitos momentos a professora perguntava: "Israel, você não vai anotar?" e ele respondia pomposo "Não professora, disso aí eu já sei, eu já li.".

O Projeto Criança que Lê visa doar livros importantes para bibliotecas de escolas municipais. Em uma parceria com a Livraria da Travessa o projeto beneficia algumas escolas especificadas no site. Para ajudar é bastante simples, pode ser feito agora mesmo, pela internet. Você entra no site, escolhe os livros que quer doar e a TRAVESSA se encarrega de enviar. As escolas estão localizadas em zonas carentes de recursos e de ações governamentais.
Eu pretendo convencer a minha família toda a doar pelo menos um título cada um. Acho que investir em pequenos leitores é como já diria Ziraldo, investir no estudo; e como formulou Monteiro, construir o futuro. Além disso, é preciso que sejam também leitores para que possam ser autores de suas próprias leituras de mundo como diria o querido professor Ilmar Mattos.
Para mais informações e doações: http://www.criancaquele.com.br/

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Infância, chapéus e Jogo do Contente

"se você procurar pelo mal nas pessoas, esperando encontrá-lo

é apenas isso que vai encontrar"
(Abraham Lincoln)

Gostaria de conseguir precisar o momento em que conheci o filme. Sei quando conheci o livro, lembro-me com clareza do momento em que o comprei. Ainda criança eu me apaixonei por esse filme, lembro que eu era já maior do que quando conheci Mary Poppins. Minha locadora tinha o filme e eu pedia sempre para minha mãe alugar. Toda a família adorava aquela versão do clássico livro Pollyanna. A Disney lançou três filmes da Pollyana, um que seguia o livro com fidelidade, outro que somava os elementos do livro a tensão racial do sul dos Estados unidos e uma continuação desse último. O filme com crítica ao racismo chamou minha atenção apesar de eu ser ainda consideravelmente pequena. Eu gostava muito de pensar que uma menina alegre conseguiu transpor enormes barreiras impostas pela sociedade. Além disso, Polly era uma menina muito corajosa, atravessar aquela ponte e ir para a parte ‘branca’ da cidade não era algo fácil.
O filme ficou guardado na mente, mas ele não foi lançado em DVD quando a transição VHS-DVD aconteceu e minha locadora faliu. Tentei encontrar o filme depois, mas foi em vão. Quando comecei a trabalhar me empenhei em comprar muitos desses filmes da infância. Foi quando me deparei com a primeira versão do clássico, a história original não tinha toda a questão racista. Comprei o filme e demorei muito tempo para conseguir assistir. Meus pais inclusive assistiram antes de mim. Lembro que quando finalmente consegui ver o filme chorei como um bebê. Assisti ao filme por semanas seguidas e chorava sempre. A alegria e a bondade de Pollyanna me faziam lembrar que um sorriso pode ser o suficiente para mudar o dia de alguém. Em meio à hipocrisia e frieza da tia, aquela menina órfã ensinava a todos que era possível estar contente com o que se tinha. Esse era o jogo do contente, pensar em algo naquela situação triste ou incomoda que podia te deixar contente. Em um dos momentos do filme Pollyanna está entregando geléias e cestas de caridade feitas por sua tia rica e outras mulheres. Ela não queria que as pessoas se sentissem menosprezadas então ela olhou para o senhor e disse: “Ora, não é caridade, é apenas um presente de uma amiga para seu amigo.”
Quando ela ficou triste o suficiente para não conseguir jogar o jogo do contente toda a cidade aparece para lhe trazer um pouco da alegria e do amor que ela entregou-lhes. Então o mesmo senhor lhe entrega flores e diz: “Não é caridade, é um presente de um amigo para sua amiga.”

Um pouco de alegria, gentileza e amor são capazes de grandes coisas na minha opinião. Comprei o livro e já o li quase todo. Ele veio com um lindo pingente de um chapéu com laço de fita. (Pollyanna usa uns chapéus tão lindos que dá vontade de voltar no tempo) Quando uso o colar lembro-me da Pollyanna. Como ela mesma diz no filme, se procurarmos apenas pelo mal nas pessoas é só isso que veremos. Ela continua me ensinando que quando sorrimos e somos gentis encontramos outros sorrisos e que podemos ver o lado bom das pessoas apesar dos erros que elas cometem e das amarguras que elas carregam. Assim como ela, tento procurar pelo bem nas pessoas e é isso que tenho encontrado. De certa forma, acho que ela estava certa.




Primavera dos Livros

Aviso aos Leitores Amigos, primavera dos livros semana que vem. Ano passado eu tive a oportunidade de ir, comprar livros e visitar o Museu que também é super legal. Eu nunca tinha ido ao Museu da república e unir as duas coisas foi um programa agradável de família. =D

Informação retirada do site da Liga Brasileira de Editoras

A 15ª Primavera dos Livros acontece de 26 a 29 de novembro, com a Literatura de Cordel como tema, em homenagem ao centenário de nascimento do poeta, compositor e repentista cearense Patativa do Assaré. O evento é realizado pela Libre-Liga Brasileira de Editoras, com apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, nos jardins do Museu da República, das 10h às 22h. Estão previstos lançamentos, atividades para crianças, uma programação especial para professores e venda de livros com até 50% de desconto, em cerca de 90 estandes, onde os editores estarão presentes para trocar ideias com o público. A entrada é gratuita.


15ª Primavera dos Livros
26 a 29 de novembro de 2009 (dia 26, a partir das 18 horas)
Jardins do Museu da República
Rua do Catete, 153 - RJ
Das 10h às 22H

Entrada gratuita

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fados: Uma viagem musical.


Em algum momento desse ano eu descobri a música portuguesa. Acredito que de certa forma, foi o início da minha caminhada de volta ao meu passado, ao meu avô e a Portugal. Antes do livro de Torga, antes da escolha por literatura portuguesa, antes de buscar em mim o amor por Portugal.
Através da Eunícia, de forma indireta eu conheci Madredeus e a partir desse encontro maravilhoso ela indicou Dulce Pontes. Com essas duas referências fui a vida, ainda que timidamente, e busquei mais das sonoridades e poesias portuguesas.
No início da semana professora Selma e professor Ilmar me pararam no corredor para indicar um filme, Fados. O filme é um documentário musical do espanho Carlos Saura. Coloco a palavra documentário apenas por ser o que a crítica diz. O filme tem apenas dois parágrafos de explicação falando brevemente sobre o fado. O restante do longa é apenas músicas, fados, revisistados pelos mais diversos intérpretes, ritmos e instrumentos. Não se fala nada entre as músicas, como se elas fossem eloquentes o sufiente, e são.
Nada precisa ser dito. A poesia e a sonoridade não precisam ser explicadas ou entendidas, basta ouví-las e sentí-las para ver como podem se tornar parte de nós mesmos.
Fui profundamente tocada pelo filme. Em alguns momentos fechei os olhos para sentir como cada um dos instrumentos e das belas vozes conseguia alcançar-me de forma diversa e especial.
Chorei timidamente emocionada com a beleza da música, da poesia e da vida. Ri também em trechos divertidos dos fados. Devo por fim admitir que o filme contém alguns dos mais belos números que dança que já vi.
Descobri hoje que realmente detesto ir ao cinema sozinha. Porém, foi bom continuar meu trajeto de descoberta de um passado amado. E de certa forma, caminho de descobrimento é sempre um pouco solitário, mesmo tendo companhia no assento ao lado.
Se gostam de música portuguesa pelo menos um pouco, aconselho que assistam. Foi o melhor documentário musical que vi em muitos anos. Tudo contribui para a poesia e o lirismo. As danças, as vestimentas, as cores, as interpretações, enfim, tudo. São belas leituras dos diversos tipos de Fados que existem segundo Saura. Além disso, eu vi junções peculiares de instrumentos musicais, e isso funcionou de forma significativa. Sax com harpa, guitarra elétrica com Cajon, violinos e arcodeon, etc.
Por fim, voltei para casa ouvindo Madredeus e Dulce Pontes. Não queria que o stress do metrô destruisse a magia dos Fados que ecoavam ainda nos meus ouvidos, na minha mente e que nesse momento ainda ouço em minha alma.

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Para assistir alguns trechos do filme clique aqui

sábado, 7 de novembro de 2009

Indicação


Então as lojas começam a se enfeitar, já é natal na rua da Alfândega e as Lojas Americanas já começaram a vender enfeites.

Claro, eu amo o natal como grande parte da população mundial, e fico feliz quando ele começa a se aproximar. Surgem no meu quarto os CDs natalinos e no meu DVD os filmes com essa temática. Quanto mais perto melhor, por mim a véspera da véspera de Natal deveria durar mais de um mês. Reúno as amigas para assistir Simplesmente Amor, chamo a irmã para ver Esqueceram de Mim (filme mais velho e clichê do Natal) e por fim a família se reúne para ver Milagre na Rua 34, Um Herói de brinquedo e é claro o Conto de Natal.

Nessa chave faço uma indicação para preparar as mentes para o Natal. Ontem foi a estréia de um filme que é uma releitura do clássico "Conto de Natal" de Charles Dickens. "Os Fantasmas de Scrooge" foi feito a partir da mesma tecnologia de "O Expresso Polar", filme que transforma atores em desenhos, falando de forma simplista. O filme está em cartaz podendo ser visto em 3D ou não. Ele capta com riqueza de detalhes o sombrio conto de Dickens onde Ebenezer é assombrado por 1 fantasma e 3 espíritos. O longa-metragem de quase duas horas é rico em cores, piadas e assombro. Ainda mais se for uma criança que assusta a toa como eu era. Fato é que eu amo o conto de Natal e já vi DIVERSAS adaptações da história, mesmo assim, devo dizer que raras vezes elas conseguiram captar todo o espírito da obra de Dickens como essa conseguiu. Na medida certa podemos rir, nos assustar e nos emocionar. O filme apesar de ser infantil é inadequado para menos de 10 anos segundo a censura e devo dizer que levei bons sustos assistindo o filme e tive um pouquinho de medo em algumas cenas. ( Tanto que desatei a rir de nervoso no meio da cena mais tensa do filme)

Resolvi fazer menção a classificação indicativa já que alguns dos nossos leitores amigos tem filhos na faixa etária ou abaixo dela e ao menos vocês sabem o que esperar do filme.

Deixo então a indicação do filme que é maravilhoso e também é uma boa forma de começar a preparar nossos corações para a beleza e o significado verdadeiro do Natal.

Para assistir do trailer do filme clique aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Outro tipo de leitura...


Bem, eu estava na segunda série quando me sentei de frente para um piano. Porém, só aprenderia a ler partituras dois anos mais tarde. A primeira música que toquei na flauta doce foi asa branca, depois disso resolvi seguir os estudos por conta própria e aprendi por mim mesma como tocar as outras notas. Acho engraçado pensar que música é, antes de todas as outras, minha segunda língua.


O sax veio depois. Depois que eu tinha tocado muito com o grupo de flauta do colégio Pedro II, depois que eu tinha penado para aprender a tocar Tormento D'amore. Eu tinha acabado de fazer 15 anos quando toquei sax pela primeira vez. E esse foi o meu presente, decidi que preferia um saxofone ao invés de festa.

O sonho do meu pai era que eu tocasse sax, então ele não apenas topou como também comprou um dos melhores saxofones do mundo, que veio direto de Paris. Arrisquei algumas notas, dei cambaleantes primeiros passos e me apaixonei pelo instrumento. A música me traz boas lembranças. Trago a vocês uma delas. Tínhamos em nossa escola um velho piano, brincávamos dizendo que era da época do Imperador. Um belo piano, meia cauda Fritz Dobert. Porém, ele estava totalmente desafinado e se o governo muitas vezes não pagava a conta de luz da escola, que dirá o conserto do piano. Nossa professora então organizou um belo espetáculo musical. Ela fez arranjos para músicas famosas do cinema como Somewhere Over the Rainbow (Mágico de Oz), As time goes By (casablanca), Love Story e Star Wars.

Todas eram tocadas em flauta doce, apenas uma ou outra contavam com participação especial de um ou outro aluno que tocasse outro instrumento. Minha amiga tocou “Don't Cry for me Argentina” na Flauta Transversa e eu toquei “Cantando na Chuva” no sax e com um chapéu ridículo. Cobramos ingresso e lotamos três sessões no mesmo dia. Pagamos a afinação do piano.

Hoje fui a um belo espetáculo de sax e vi releituras de clássicos da nossa música como Tom Jobim, Vinícius e Baden Powell.
Apesar de ser completamente eclética, devo admitir que tenho uma afeição especial pelo Jazz. Gosto das suas muitas possibilidades, é o que torna tão livre. Gosto de pensar que erros podem ser dissonâncias e podem ser muito bem-vindos. Gosto da criatividade do músico que permite-lhe que cada apresentação seja única e diferente.
Isso é o belo da leitura musical, até mesmo o ritmo do compasso segue a batida do coração do musicista.

Não, você não vai encontrar Jazz no meu Ipod. Para mim Jazz, assim como música clássica, é o tipo de música que você não ouve no ônibus ou no metrô. Você ouve no sofá da sala, sem interrupções, de olhos fechados, em total estado de graça para não perder nenhuma nota da escala.

Apesar de amar todos os instrumentos e ter uma enorme queda pelo Cello, devo dizer que poucos são tão expressivos quanto o saxofone. Sax que ri, faz rir e tantas vezes chora notas densas em uma escala de sol maior.

Bom fazer outros tipos de leituras, por elas e para elas o meu sax está sempre do meu lado no meu quarto. Partituras são um outro tipo de livro aberto.
Como aprendi com a professora Guida, existem muitas e diversas formas de se ler o mundo, pois ler é uma ação que não se limita a estar nos olhos, lemos com o corpo todo.
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Ps. Deixo aqui a indicação. O espetáculo chama-se 4/4 e foi idealizado por Leo Gandelman e produzido com apoio do SESC. Essa foi a última apresentação no Rio de Janeiro, mas fiquem atentos para qualquer espetáculo com qualquer um dos quatro saxofonistas participantes. Todos são excelentes, Mauro Senice, Nivaldo Ornelas, Paulo Moura e o próprio Leo.

domingo, 1 de novembro de 2009

sábado, 31 de outubro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Livrarias


Fiquei IMPRESSIONADA com a arquitetura! E olha que é no BRASIL: Sampa... Sigam o link abaixo sobre arquitetura e vejam a Livraria da Vila em muitos ângulos. Não, não é aconchegante como a livraria da Agnes, mas é também um lugar que eu gostaria de visitar!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Infância e um Everlasting Gobstopper.



"Papel de parede lampível,
para quartos de crianças(...)"
(Roald Dahl, A Fantástica Fábrica de Chocolate)

Estou quase terminando minha série de posts sobre filmes da minha infância que prosseguem comigo no hoje.

Eu não gostava de chocolate quando era pequena. Exceto o branco e mesmo assim, quase nunca comia. Isso seguiu comigo na adolescência e ainda hoje eu não como com muita frequência. Minha irmã chocólatra não consegue se controlar quando eu ganho uma caixa de bombons e demoro mais de 2 meses para acabar com ela. Doce em geral não me atrai. Exceto alguns em particular que não costumo recusar.
Mesmo assim eu adorava o filme que tinha um homem maluco/gênio que era dono de uma fábrica de chocolate. Não vi o remake todo e por isso não falarei dele. Digo apenas que prefiro o Wonka de Gene Wilder, mil vezes. (Roberta que não leia isso)

Imagine uma fábrica maravilhosa de onde saem os mais fantásticos chocolates, doces e chicletes. Uma fábrica fechada, dirigida por um homem brilhante ou completamente maluco. Repentinamente anuncia-se que cinco e apenas cinco pessoas poderiam entrar para conhecer a fábrica. O mundo todo congela. Todos querem entrar na fábrica fantástica e descobrir o que o Senhor Wonka guarda por trás das grades.
Cinco crianças são escolhidas, quase todas são ricas, exceto Charlie.
Todas recebem ofertas tentadoras para descobrir sobre a nova invenção de Wonka, o Everlasting Gobstopper.

Sempre adorei o filme, também sei cantar as músicas dele. Ele estava no mesmo VHS que Mary Poppins.
Ainda gostaria de saber o que é uma nevascaranga e gostaria de ter adesivos comestíveis. Além do mais, gostaria de pode ser transportada pelo espaço em mil pedaços diferentes. Quem sabe tomar uma bebida que me tornasse mais leve que o ar. Talvez juntar aos umpa lumpas na umpalândia. (sempre dou risadas nessa parte do filme.)
Entretanto, só descobri o livro há dois anos. O vendedor da Martins Fontes costumava visitar a livraria com alguma frequencia para checar se eu precisava de algo. Numa dessas vezes ele trouxe seu catálogo de livros infanto-juvenis, eu então vi esse livro e não hesitei. Espero contar essa história aos meus sobrinhos, filhos, netos, etc.

Talvez esse seja o momento em que você se pergunta o motivo de tamanha admiração. O que mais gosto do filme é o final e o diálogo que o antecede. Teoricamente Charlie perdeu o que ele tanto queria, mas isso não era motivo suficiente para trair o homem que ele tinha aprendido a amar. E nem mesmo todo o dinheiro do mundo poderia comprar sua honestidade. Como disse o próprio senhor Wonka, "assim brilha uma boa ação em um mundo gasto".

Charlie escolheu que ser honesto e leal era mais importante do que ter muitos anos de riqueza com dinheiro sujo. Essa é uma boa escolha, e é a mensagem mais importante que carrego do filme.

E assim como fez Charlie, eu ainda espero e luto para que minhas ações brilhem em um mundo gasto.

 Ps. Um chiclete eterno ia dar um trabalho absurdo para meu pobre maxilar, mas viva o Everlasting Gobstopper, ou o Gobstopper permanente. =D

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Correspondência

Li a resenha do livro no blog de um escritor infantil. Saí caçando o livro que só tinha sido lançado em São Paulo. Por fim, encontrei na Malasartes.
Compartilho o que tinha dentro daquela mensagem...

O livro é em formato de carta, inclusive vem selado


Foi escrito por Ninfa Parreiras e ilustrado por André Neves


O Livro fala de um lugar onde as casas não tem telhado...o teto é o céu


Céu forrado de estrelas e imensidão. Céu sem chuva...


Então conta a história de uma correspondência trocada...




Algo muito especial veio com o envelope...e a resposta foi tão especial quanto. Mas não posso contar ou mostrar tudo...
Então, fecho os olhos e vejo céu e mais céu. Numa imensidão de estrelas e espaços. =D
Belo livro, belo conto e lindas ilustrações.
O livro foi feliz e a correspondência que chegou até minhas mãos me trouxe muitos sorrisos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobre a minha futura livraria...


Já que resolveram me 'zoar', vou falar sobre a minha futura livraria.
Quando eu tiver uma livraria eu quero que ela seja grande, mas com aquele ar de livraria de bairro, onde todo mundo se sente em casa. Preferencialmente, que não seja no shopping, mas se não tiver escolha, que seja. Quero que seja aquela livraria com limpeza de livraria e ar de sebo, onde você não será repreendido por sentar no chão com a obra de sua preferência. O tipo de livraria que é programa de família, onde os pais levam seus filhos e avós levam seus netos. Com poemas colados na parede e bloquinhos de todos os tipos e cores para vender e para dar de presente. Afinal, eu adoro ganhar brinde quando faço compras. Os atendentes devem ser pessoas gentis, que sorriem e te ajudam de verdade. Pessoas que realmente gostam de livros e que sabem fazer uma indicação de real qualidade. Porque contratar alguém que não gosta de ler para trabalhar com livros e com público? Pessoas assim eu coloco no escritório, para trabalhar nas estantes, tem que gostar do cheiro de livros e de palavras diversas.


Gosto de estantes altas e escadas acessíveis. Assim você poderá pedir ajuda ou simplesmente subir e pegar o livro desejado. Quero mesclar coisas novas e velhas na decoração, poemas antigos e novos, em várias línguas. Vamos ter uma sessão Fernando Pessoa, porque eu amo de paixão e isso é para mim um motivo suficiente. Sacolas de pano ao invés de plástico, com o símbolo da livraria. Ajudando o meio ambiente e fazendo propaganda de uma livraria divertida. Teremos mesinhas e cafés ou chás de graça. Além de um excelente cardápio para os que quiserem juntar-se a nós em um lanche ou jantar, mas cobrar por café seria um crime, especialmente quando a dona da livraria é uma historiadora que sabe a importancia daquele líquido viciante.


Gosto de falar da parte infantil, porque vai ser muito divertida. Para trabalhar lá somente pessoas que gostem REALMENTE de livros, crianças e sorrisos. Quero livros abertos para as crianças lerem. Pufs, almofadas, cadeiras para elas sentarem e ursinhos para serem companheiros de aventuras literárias. A seçao contará com lindos baús cheios de segredos e surpresas.Teremos contadores de histórias e muitos filmes Disney. Nada de livros no plástico, nada de livros que as crianças não podem mexer. Se o livro rasgar, ótimo, significa que foi manuseado. Contadores de história de verdade, que fazem vozes e até se fantasiam. Além de tudo isso, ofereceremos oficinas gratuitas para pais que não sabem contar histórias de dormir. Teremos estrelas grudadas no teto, um teto de céu.

A idéia é de que você pode entrar e se divertir, ler e ser bem atendido sem ter que pagar nada por isso. Nem mesmo o café. Talvez, é claro, você queira experimentar nosso delicioso cappuccino, ou nossa caneca de Mocha, somente nessas situações você terá que pagar um pouco mais.

Quero lindos papéis de presente para os clientes escolherem, afinal, livros ainda são um excelente presente e sempre serão. Papeis e caixas especiais para crianças, e nada de cobrar a mais por isso. Por fim, os preços serão acessíveis e eu acho que 10% de desconto é o mínimo que podemos dar para um cliente fiel. A partir da segunda compra o cliente sempre recebe pelo menos 10% de desconto. Exceto os professores que terão atendimento preferencial, desconto maior, permanente e que dependerá do preço do livro. Preço é algo relativo, crime seria alguém não comprar o livro por não poder pagar os quarenta por cento a mais que os livreiros às vezes cobram. Minha livraria fará constantes doações para bibliotecas públicas ou escolas menos favorecidas.

Ou seja, eu vou falir.
Por causa do meu coração mole eu já decidi quem administrará minha livraria, uma amiga durona que tenho e que poderá dizer quando estou a beira da falência.
O nome da livraria ainda está em aberto, aceito sugestões.

Ps. para leitores que adoram tecnologia nós teremos Kindle e muitos ebooks disponíveis na loja através dos terminais com acesso ao nosso fantástico site. '
Ps2. Teremos muitas flores na livraria, eu adoro flores, especialmente as amarelas.


domingo, 25 de outubro de 2009

Personagens que abandonam os seus livros

Quando vi a chamada e a imagem, lembrei da Agnes pela leitura de Coração de Tinta...

Mas creio que é uma bela imagem para todos nós:
amantes de livros que mantém uma alma criança.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Infância e sapatos vermelhos



"Um coração não é julgado por quanto ama,
mas por quanto é amado pelos outros"
(O Mágico de Oz)


Sempre gostei de ver e rever meus filmes favoritos. Quando eu era bem pequena eu sequer gostava de ver outros filmes que eu já não conhecia. Mary Poppins era (e é) o favorito, mas dividia minha atenção com outros 3 filmes, dos quais falarei separadamente. Escolhi viajar para Kansas primeiro, até porque acabo de ganhar um lindo imã do filme e também porque o filme Coração de Tinta privilegiou essa história para escrever a trama de Meggie e Mo.

O Mágico de Oz é um livro escrito por L. Frank Baum e publicado em 1900. O livro foi transformado em filme em 1934.
O filme povoa até hoje minha imaginação. Quando criança eu muitas vezes fechava os olhos quando estava triste e me imagina em Oz. Sempre me perguntei onde dariam as outras estradas, mas me contento em saber sobre a estrada de ladrilhos amarelos. Ainda hoje eu por vezes me encontro imaginando que estou em Oz, ou em algum lugar além do arco-íris.
O filme ganhou Oscar pela trilha sonora e pela canção, Somewhere over the Rainbow. Eu ainda cantarolo a canção, adoro as versões que ela recebeu e amo tocá-la no sax.
Eu era pequena quando ganhei da minha tia um lindo sapatinho vermelho, a mesma que me deu o guarda-chuva por causa de Mary Poppins. Eu os chamava de sapatos da Dorothy. "Mãe! Quero usar o sapato da dorothy". Então, quando estava sozinha, eu colocava os sapatinhos e batia o calcanhar repetindo: "Não há lugar como nosso lar".
E acredito verdadeiramente nessas palavras, não encontrei lugar como meu lar.
Além de tudo isso, o filme me traz uma memória linda.

Eu hoje tenho dois dvds do filme, um deles é triplo com os extras da produção e outras duas versões cinematográficas, mas antes disso, eu tive uma fita gravada da tv e ela tem uma história. Por volta de 1994 um especial de natal foi anunciado em uma emissora de televisão. Fomos passar as festas com meus avós, na casa deles em Iguaba. Infelizmente meu avô não tinha aparelho de VHS, ele achava que podia estragar a televisão. Meu pai então pegou o vídeo daqui de casa e levou no carro, ele queria gravar os três filmes do especial para mim. Depois de convencer meu avô de que o vídeo não iria estragar a televisão ele instalou tudo e preparou para gravar os filmes. O especial de natal foi transmitido de madrugada, meu pai virou a noite para não deixar gravar comercial. Ele sabia que eu detestava comercial. Lembro disso sorrindo, não há lugar como nosso lar.

Ps. Até hoje quando uso sapato vermelho eu lembro do sapato da dorothy. Ainda me dá vontade de bater o calcanhar e repetir as palavras do filme, não há lugar como nosso lar.
Coloquei o livro de L. Frank na minha lista, lerei em breve.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um tipo antigo de magia.




"As Mo had said, writing stories is a kind of magic, too."
(Inkheart, Cornelia Funke)

Eu gosto de vozes. Estejam elas cantando, falando, contando ou lendo. Gosto de ouvir histórias em voz alta, e gosto de ler em voz alta. Nunca considero que terminei um texto, uma carta ou uma peça sem antes ler em voz alta para mim mesma. Muitas vezes eu mudo as palavras escritas por não gostar do seu som quando falo. Então essa sou eu quando encontrei com Cornelia Funke pela primeira vez. Quando vi o livro eu adorei a capa e as epígrafes. Mesmo assim, comecei a ler esperando muito pouco do livro. Gosto de literatura infanto-juvenil, mas tenho visto muito lixo. No entanto, Cornelia Funke e seu livro me surpreenderam de tal forma que mal consigo descrever. O livro é de tirar o fôlego. Além de ser maravilhosamente escrito, a história é fantástica. Cornelia foi inteligente o bastante para não tentar apagar ou sufocar gênios da literatura infanto-juvenil como T.H. White, C.S. Lewis ou o legendário J.R.R. Tolkien. Ao contrário, ela os convida para fazer parte de sua história e nos leva em um mundo de imaginação e encantamento que vai além do que nossos olhos podem alcançar , afinal, ela usa em seu livro muita magia de outras belas histórias e ainda uma enorme dose de encantamento original. Seu argumento é único e seus personagens profundamente cativantes. Amei Meggie, e sua coragem muitas vezes me fez sorrir ao ler o livro. Além disso, acho que Cornelia Funke pegou minha compulsão por livros, multiplicou por 20 e criou a personagem de Elinor, mais risadas então, espero nunca ficar tão neurótica. Gosto de histórias que falem de amor por livros, também por isso eu amei Coração de Tinta. Espero um dia ler tão bem quanto Mo. Definitivamente não gostaria de encontrar a Cuca em minha porta, ou Julian Carax em meu quarto. No entanto, gostaria de dar vida às histórias com minhas palavras. Essa é por fim a metáfora mais importante do livro, a palavra escrita contém vida em si.

Fechei o livro por fim com um sorriso nos lábios e agora espero ansiosa pelo restante da trilogia, não porque o livro tenha terminado com grandes lacunas, mas porque Cornelia Funke escreve maravilhosamente bem e eu quero voltar a encontrá-la ainda muitas vezes, pois ela nunca ignora a vida que suas palavras escritas podem conter. E como disse Mo, a palavra escrita é algo poderoso, talvez como um tipo antigo de magia.



PS. Não falei do filme porque deixaria o post enorme. Apenas um conselho, leia o livro. Brendan Fraser é fofo e a voz dele é linda lendo aquelas histórias, mas nada posso comparar com a vida e a magia das palavras escritas.




O Sentido da Vida. Entenda

Ao vermos alguns livros ficamos curiosos de saber o seu conteúdo somente por causa do seu título. Ao lermos então o pequeno resumo do livro, podemos ficar mais curiosos ainda ou então desistirmos de ler o livro que antes nos interessava, porque o conteúdo do livro não era aquilo que imaginávamos no seu título. A nossa curiosidade pode ser despertada através de uma simples frase, ou então pode ser apagada se o título do livro não tiver aquele reclamo. Independente do assunto nós podemos ou não ser despertado para tal livro dependendo do seu título.



Mas para quem escreve, dar um título ao seu assunto não é a tarefa das mais simples. Dar um corpo em apenas poucas palavras daquilo que irá representar todo o conteúdo da sua escrita é coisa que não é feita sem diligência.


Por isso ao escrevermos um texto devemos ter em mente que na hora de darmos um título a ele, esse título será o seu rosto, a fachada do edifício. Que poderá chamar a atenção ou afugentar os leitores em potencial.
obs: o título do post só foi pra chamar a sua atenção.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Magias antigas, novas princesas

O encantamento passa por diversos lugares e é capaz de inundar a vida de surpresas. O livro que a Manu releu no último fim-de-semana é assim. O distante mundo do faz-de-conta se aproxima do dia-a-dia e faz com que as pequenas leitoras - por similitudes, para lembrar Foucault - possam se imaginar especiais e mágicas, sendo elas mesmas, no mundo em que vivemos. Temos princesa piolho, princesa com chulé, princesa fashion... e algumas com dilemas complicados como caçar brinquedos... O mundo da magia se reinventa para continuar sendo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Conexões, epígrafes, muita magia

"A feiticeira pode conhecer a Magia Profunda, mas não sabe que há outra magia ainda mais profunda. O que ela sabe não vai além da aurora do tempo. (...) se uma vítima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás..."
(Aslam em as Crônicas de Nárnia)

Quando comecei a ler Coração de Tinta eu sabia que seria uma jornada mágica. Por isso esperei até que pudesse me entregar a isso, não estou lendo nada junto com ele. (o que é um sério problema, afinal, eu já deveria ter terminado Os Maias para Literatura Potuguesa II) Me forcei a ler devagar e nisso eu alcancei sucesso, termino o livro amanhã, ou na quinta e consegui ler em 15 dias!!! Delicioso ler devagar, esperando que a história não acabe. Falarei do Coração de Tinta quando terminar, mas faço menção a ele pois a autora faz conexões maravilhosas, em sua história ou em suas epígrafes, com livros igualmente maravilhosos.
Acabo de ler uma epígrafe das Crônicas de Nárnia. Histórias que eu amei. Li todos os livros, alguns mais de uma vez e o livro não parou lá em casa, coisas maravilhosas e histórias bem escritas eu sempre passo adiante, vale a pena. Nárnia foi um deles. Eu queria poder pular dentro do livro para visitar Nárnia, conhecer os narnianos e o próprio Aslam!
Talvez ver a Idade de Ouro em Nárnia, quando ela é governada por Pedro, O magnifico; Edmundo, o Justo; Susana, a gentil e Lúcia, a destemida. Quem sabe eu poderia lutar na batalha ao lado do exército do Principe Caspian na busca por retomar Nárnia, ou viajar com ele em seu peregrino da alvorada.

Cada um dos sete livros é especial e único. C.s. Lewis é o máximo, ou Jack, como ele gostava de ser chamado. Ele detestava o nome Clive. Cornelia Funke foi muito feliz em suas epígrafes ao citar Nárnia. Claro que ela também cita Tolkien, um grande amigo de Lewis. Realmente deveria, há especialistas em literatura que dizem que Tolkien e Lewis reinventaram todo o universo da fantasia.
Existem várias explicações para o nome Nárnia, minha favorita é de que Lewis usou Sindarin, a língua desenvolvida por Tolkien, para nomear sua terra fantástica. Em sindarin Narn-îa significa algo como "profundeza dos contos".
Tenho os livros em diversas versões, inclusive uma linda versão com as ilustrações colorizadas a mão. A ilustradora por sinal foi a mesma que ilustrou O Senhor dos Anéis. 
Como Aslam diz existem poucas entradas para Nárnia no nosso mundo, cada uma delas pode se fechar a qualquer momento. Talvez o livro de Lewis seja uma das formas mais maravilhosas de se viajar até lá.

Ps. Deixo o mapa para ninguém se perder.




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Modernidades. O Tempo passado moderno fora de moda.

É incrivel como o tempo passa em nossas vidas e muitas vezes nem nos damos conta disso. Se pararmos para analisar a nossa vida e começarmos a relembrar eventos passados, vamos nos dar conta que o tempo passou (ou tem passado) tão rápido que nem ao menos nos damos conta da velocidade que ele tem corrido. Essa sensação de rapidez que temos do tempo é fruto da atualidade em que vivemos, essa atualidade do já, do instantaneo e momentaneo, tudo o que ocorre em um ponto distante do globo, em questões de minutos chega ao conhecimento de pessoas do outro lado do globo, é o famoso "efeito borboleta", eventos ocorridos em alguma parte tão distante de nós, nos afeta.


Essa sensação de simultaneidade, de aceleração do tempo, a cada dia tende a se tornar mais forte, isso em todas as esferas da nossa vida, é a o conceito de modernidade moderno, se é que posso usar essa expressão.

Por isso como se torna importante nós valorizarmos a cada instante de nossas vidas, de darmos valor a momentos que se passam tão rápidos e que nunca mais voltarão. Como corremos com a nossa vida e nem ao menos temos tempo de celebrar a vida, o nascimento, as conquistas, pois terminada uma conquista, já nos vemos empenhadas em outras ainda maiores.
Quando vencemos um desafio, já somos impelidos para um outro desafio, muitas das vezes maiores ainda, e nesse ínterim nem ao menos tivemos tempo para comemorar a vitória ou nos recuperarmos da luta que acabamos de vencer.

Por isso ao olhar o passado, que possamos olhá-lo como foi bom o tempo passado e como aproveitamos aquele tempo, pois esse é um tempo que se foi e que nunca mais retornará.
O tempo é algo que hoje é o bem mais precioso e escasso do homem, apesar de ser o mesmo tempo de desde o início dos tempos, mas que esse tempo distingui do tempo passado pela sua aceleração e movimento. Digo movimento, pois esse tempo nos empurra para frente e devemos acompanha-lo, pois se não o fizermos nós ficaremos para trás junto com o tempo passado. Se eu fosse Jauss ou o Koselleck eu diria cariocamente: É a modernindade moderna amigo, acompanhe ou saia de moda para não deixar o Baudelaire de fora.
obs: não tentem entender o título é algo filosófico incompreensivel, até mesmo para o autor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Infância com guarda-chuva


Acho que eu tinha três anos quando conheci o filme. Na casa da minha prima eu assisti pela primeira vez, mas passavam sempre na globo e meu pai gravou um dia para mim. Mary Poppins era uma atividade diária. Eu assistia sempre após a soneca da tarde, desde os três anos. Quando cresci um pouco minha tia me deu de presente um guarda-chuva. Então eu sentava no sofá, com o guarda-chuva e esperava minha mãe colocar o filme. Eu tive 3 fitas VHS gravadas da televisão com o filme (pois elas furavam de tanto uso), 1 VHS original comprado no supermercado e esse filme foi o primeiro DVD que comprei. Tenho hoje a edição comemorativa de 35 anos do filme e é o único dvd cujos extras eu assisti todos, mais de uma vez.
Subia nas cadeiras e tentava voar com o guarda-chuva, por algum motivo, que na época eu não compreendia, eu nunca consegui. Além disso, mais de uma vez eu tentei arrumar o quarto estalando os dedos. Pular em desenhos de giz na calçada também não seria mal e tomar chá no teto. Todas essas fantasias povoavam minha mente de menina e talvez por isso eu ainda ame o filme de paixão.

Quando meu pai foi a Londres eu lhe pedi uma coisa que era muito importante, a coleção de livros com as histórias de Mary Poppins, escrito por P. L. Travers. Claro que o filme conta com algo que o livro não pode ter, a atuação de Julie Andrewns, que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz em 1965. Não tem como competir com isso.
A viagem mágica que se iniciou quando eu tinha 3 aninhos, prossegue ainda hoje, pois agora eu sou capaz de ler o livro com a bela história que deu origem a tudo. Infelizmente os livros prosseguem sem tradução e digo infelizmente pois são livros muito bons, com a dose certa de fantasia, humor e açucar. Por hora tenho quatro dos oito livros com as história de Mary Poppins, espero eventualmente completar a coleção.
Ainda sei cantar as músicas do filme,  dançar alguns dos passos e sei as falas do filme quase todo de cor. Sobretudo, tenho uma palavra muito boa para dizer quando não se sabe o que dizer, Supercalifragilisticexpialidocious
O filme mostra como é importante estarmos atentos ao que acontece a nossa volta. Pessoas que por vezes precisam de nossa ajudam, ou pássaros que precisam ser alimentados. Mesmo assim, tantos de nós não conseguimos enxergar um palmo adiante do nariz. Mary conta para as criançar que custa apenas dois pences alimentar os pássaros, mas o que importa não é o valor e sim o coração que sinceramente se dispõe a ser bondoso. Ilustro isso com algo que o Senhor Walt Disney fez.
No filme existe uma senhora que tem apenas duas falas e aparece por menos de 5 minutos. A senhora dos pássaros, uma velha atriz, Jane Darwell. Apesar de sua minúscula aparição, o senhor Disney tratou-a como se fosse protagonista. Deu-lhe um belo camarim e mandou belos carros irem apanhá-la. Ele queria que ela soubesse que era importante. De fato, Mary Poppins foi sua última aparição, logo após o filme ela veio a falecer. Alimentem os pássaros,  dois pences para demonstrar bondade.